segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Renato Seabra, não me tires o sono com um saca-rolhas, por favor

Fi-lo na paródia. Ao ouvir o Vítor Gonçalves na RTP falar do hospital onde está internado Renato Seabra, o alegado homicida de Carlos Castro.
Vítor Gonçalves, o jornalista, enfatiza - ou diz de uma forma que acho graça, motivo pelo qual não sei explicar - hospital Bellevue, a unidade prisional. Repete-o várias vezes. E a palavra "Bellevue" fica a ecoar-me cá dentro. Chego à música dos GNR, escrita em 1986. Curiosamente para um álbum chamado "Psicopátria".

Mas seria só aqui que estavam as coincidências?

Comecei a ouvi-la.



E fui pesquisar a letra.

"leve levemente como quem chama por mim"
Fundido na bruma no nevoeiro sem fim
Uma ideia brilhante cintila no escuro
Um odor a tensão do medo puro

Salto o muro, cuidado com o cão
Vejo onde ponho o pé, iço-me a mão
Encosto ao vidro um anel de brilhantes
É de fancaria a fingir diamantes
Salto a janela com muita atenção
Ponho-me à escuta, bate-me o coração

Sabem que me escondo na Bellevue

Ninguém comparece ao meu rendez-vous

Porta atrás porta pelo corredor
O foco de luz no ultimo estertor
No espelho um esgar, um sorriso cruel
Atrás da ultima porta a cama de dossel
Salto para cima experimento o colchão
Onde era sangue é só solidão
Os meus amigos enterrados no jardim
E agora mais ninguém confia em mim
Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego

Os sublinhados são meus. Tirem as vossas conclusões, se acharem que é uma interpretação muito exagerada da minha parte.
Renato Seabra, não me tires o sono com um saca-rolhas.

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