domingo, 30 de setembro de 2007

Renascer

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Por aqui.


Também já não era sem tempo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Quando a música fala por nós

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Friend of the Night - Mogwai

sábado, 22 de setembro de 2007

Opções de vida

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Se me fosse possível optar, escolheria sempre por urinar ao ar livre. A acção fisiológica torna-se muito mais reconfortante.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Esconderijo

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Nos filmes em que há perseguições os fugitivos conseguem sempre esconder-se debaixo da cama. Também são sempre encontrados, ok, mas não é essa a questão. Eu já não me consigo enfiar debaixo de uma cama desde os meus, vá, 10 anos. Já não se fazem camas para as pessoas se esconderem. Além do mais, por baixo da cama está sempre tudo cheio de pó, mesmo com as limpezas que são feitas.

Daqui se conclui que eu nunca me poderia esconder debaixo de uma cama: primeiro não caberia. Segundo, em função de uma renite alérgica que possuo, começaria de imediato a espirrar. E o bandido detectar-me-ia. É por isso que mantenho sempre um revolver em cima da mesa de cabeceira. Para o caso de entrarem bandidos no meu quarto.

E perguntam vocês: "E a tua mãe deixa?". Sim, eu disse-lhe que é um isqueiro.
Foi aí que ela me bateu por eu fumar.
E eu disse-lhe: "É mentira mãe! É uma pistola! Eu não fumo!"
E ela, enquanto me dava com o chinelo nas nalgas: "É uma pistola é... tu andas mas é a fumar".
E eu: "É é, mãe. É uma pistola por causa dos bandidos!"

E ela não acreditou.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A problemática do choro

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E depois há aqueles pais que estão no café.
São aqueles pais que são maçados pelos filhos a torto e a direito. Aqueles filhos que pedem chupas coloridos com brilhantes por cima, que ao início são muito picantes ou amargos (nunca consegui distinguir muito bem) e depois se tornam agradavelmente doces, como se tivessem aberto uma mangueira para cima de nós de forma a apagar o fogo que nos foi criado na língua. Pedem "Quindéres Supresas" e outros chocolates adventistas. Querem batatas fritas, mas na hora da verdade acabam por mudar de opinião e pedir antes um gelado.
Miúdos que fazem birra. Que batem o pé. Que gritam.
Vêm os pais que lhes dão três ou quatro nalgadas, pelo meio dobram o braço de forma a acertar com a parte mais proeminente do cotovelo no alto da cabeça da criança. "Cala-te! Não te dou chocolate nenhum!". Pam Pam Pam. A criança fica a chorar.
É aí que surge a personagem mãe. Aquela personagem mãe. De cabelo apanhado, calça de ganga que nota-se que já expirou o período de validade. Ou então comprou há pouco tempo na feira da Venteira e ela julga que está muito na moda. É a mãe que fuma, a olhar para o lado. Que aponta o cigarro para longe da sua criança e manda para cima das crianças dos outros. A criança dela chora de forma copiosa porque, recorde-se, levou um enxerto de porrada do pai no café - pai esse, que , recorde-se, tem sempre muita capacidade física - e doeu-lhe, vá.
A personagem mãe vira-se para a criança e diz: "Vá, pronto."

Pergunto eu: "Vá, pronto"? Se até a mim me doia. "Vá, pronto".

domingo, 16 de setembro de 2007

Naquele tempo é que era

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É aqui que se vai poder assistir a uma reconstituição perfeita dos tempos em que as coisas eram mediavais em Sacavém: pousio nas terras, latifundários, senhorios de terrenos, cavaleiros e donzelas. Sacavém já foi assim.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

The light that fueled our fire then has burned a hole between us

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No fault, none to blame it doesn't mean I don't desire to
point the finger, blame the other, watch the temple topple over.

Epá... There was a time that the pieces fit...

Cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion
between supposed lovers

Pronto.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Balúdrios

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Oprah Winfrey vai deixar no testamento 30 milhões de dólares aos seus cães para o caso de ela falecer. Não saber o que fazer ao dinheiro. O ideal mesmo era alguém conseguir fazer isto que se segue.



Grande Dave Chapelle.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

As tardes da Júlia

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Ora bem. A TVI. Não quero alargar-me muito. Acontece que nesta sala onde estou sentado, a minha mãe está a ver as Tardes da Júlia. No sofá está sentada uma senhora a contar a história do dia em que o marido lhe deu 17 machadadas. Não ouvi mais nada. Entraram outras coisas, mas que não foram úteis para perceber os motivos da agressão (nem sei se é esse o termo). Lembro-me que ela falou numa mota "Vespa", num outro homem, numa bomba de gasolina. Enquanto o marido lhe ia arreando, só o outro tipo é que estava a assistir. Mas não fez nada, porque é "um homenzinho", enquanto o fulano que a ia descascando como se tratasse de um cepo para lareira era "um homenzarrão". Pronto. É isso. Dezassete machadadas. Não são dezasseis. Nem dezoito. Dezassete machadadas.

Pan-dan [pã-dã; pandant]

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- Uma torradeira, um jarro eléctrico e uma cafeteira (que não é daquelas que hoje em dia toda a gente quer) a condizer com os futuros móveis da cozinha.
- Quatro individuais a condizer com o interior dos pratos, canecas e bule ofertados no aniversário.

Esta história das preocupações com as cores é um bocado amaricada. A começar pelo nome: pandant. Fazer pãndãn. Caraças. Sinto alguma virilidade a escorrer por entre os dedos. Parece que me estão a arrancar alguma masculinidade. Sinto uma vontade louca de comprar um avental, de tirar um curso de culinária e um outro de crochet. Para fazer daquelas meiazinhas em malhinha para ter os pezinhos quentinhos quando for dormir(zinho). Dei por mim a ver o preço de vinagre "Cartuxa", produto gourmet, só para que a salada dê um outro prazer ao palato. Fui, por curiosidade (apenas, devido à falta de espaço), ver quanto custava uma garrafeira térmica. Mas o que é isto? Duas galhetas... O que é feito dos homens que tomavam banho vestidos para poupar uma lavagem de roupa na máquina? E dos que aproveitavam o prato do cão para jantar? Assim é só um prato para lavar.

Mas não hei-de vergar com tanta facilidade. Vou continuar a beber cerveja, a comer tremoços e amendoins enquanto vejo futebol e tiro sujidade das unhas dos pés com as unhas das mãos. Vou, vou. Mas agora vou escutar o último álbum do Patrick Wolf. E o do Rufus Wainwright, que ouvi dizer que estão extasiantes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Um ano depois

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"E prometo continuar a fazer cócó nas fraldas, a comer a papa toda. Já falta pouco para começar a andar e aí ninguém me pára! Prometo ainda não partir brinquedos, pelo que podem continuar a oferecer-me coisas! Os tempos de mamar já lá vão e posso garantir aqui que no espaço de quatro ou cinco anos vou começar a ler! Senhores deputados, não se deixem enganar pela minha tenra idade: já consigo comer a fruta sozinha. Só preciso que ma descasquem e ma metam num prato!"

E foi assim o "comício" do primeiro aniversário...

domingo, 9 de setembro de 2007

Há um ano

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Nove de Setembro de 2006. Estava no café a ver um jogo de futebol. Durante a tarde tinha acontecido o Red Bull Flugtag no Rio Tejo. Depois o Sporting ganhou 1-0 na Choupana. Um belo golo do Nani. À noite tinha jogado o Benfica. Perdeu 3-0 com o Boavista, mas o Rui Costa fez um túnel de belo efeito ao Kazmierczak. Já tinha bebido umas cervejas, mas estava de sobreaviso. A Beatriz estava a caminho.

Recebi o telefonema de minha mãe a dizer que tinham acabado os falsos alarmes (dois ou três, já não me lembro) e que desta é que era. Agarrei no veículo e fomos a voar até à maternidade. No carro fomos em silêncio. Apesar de o parto estar demorado, tinha pressa em chegar. A mãe percebeu-o e não fez nenhum comentário à velocidade (vendo bem, não foi muito alta, pois o meu veículo tem apenas mil e cem de cilindrada, sessenta e poucos cavalos e um binário de não sei quê).

Não tinha autorização para entrar na zona de partos. Só lá estava o pai e pôde entrar a avó. Eu fiquei sentado. A ver as horas a passar. Chamaram uma "Beatriz Pereira" e eu dei um pulo na cadeira. Mas era só uma bebé com febre ligeira. Eram 23h50, mas ainda faltava um bocado. Eu é que não tinha informações sobre o ponto da situação. Ainda passou uma hora até saber que a Beatriz tinha nascido às 00h15. Já a 10 de Setembro de 2006. Com 2,905 quilos.

Voltei a entrar no carro e a fazer o IC-19 a alta velocidade para ir buscar os avós paternos. Reuniu-se a família e por ali estivemos até por volta da uma da manhã. Foi aí que se tirou a primeira foto da Beatriz.


10 de Setembro de 2007. Já passou um ano (a correr, em que tanta coisa aconteceu) e Beatriz está já com nove quilos. Já diz "papá" e "mamã". Diz "pê" para dizer piu. Diz "pa" para dizer papel. Fecha os lábios com força para dizer "Bu", mas ainda não se ouviu o som na plenitude. Tem quatro dentinhos. Não anda. Sai a toda a gente. No colégio dizem que nunca tiveram lá nenhum bebé assim: porque come a fruta sozinha e não faz birra para comer. Pelo contrário: faz birra por não comer. Tem umas bochechas lindas e deixa as velhas na rua todas invejosas, porque é muito simpática e ri-se. Mas só quando acha mesmo graça. Os comentários dos idosos são invariavelmente os mesmos: "Ai que linda!". "Olá princesa!". E é o orgulho da família.

Mais força ainda?

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Estes tipos a cantar o hino... a chorar? Mariquinhas pá! Se eu tivesse o vosso "cavedal" andava sempre na rua à procura de bulha e pancadaria. Agora cá a chorar. Se os neozelandezes vos vêem a chorar dessa forma, dizem-vos o que a minha mãe me dizia quando eu era pequenino. "Ou paras de chorar ou eu dou-te motivos para isso". Não foi assim há muito tempo. Ainda na quinta-feira ela mo disse quando eu estava a fazer birra porque lhe pedi uma caneca de cerveja fresquinha e ela não quis dar.


Eu não chorava.
Urinava-me pelas pernas abaixo.

Mesmo com a pelagem facial

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Não que seja muito máscula, mas optei por fazer um cultivo de barba. Não fica bem nem mal. Mas uma das decisões foi para parecer mais adultozinho, agora que já posso, que já tenho coisas para pagar. Porém, mesmo com a "penuge" continuo a ouvir coisas do género:

- "Qual era a mesa deste menino?" (Uma empregada de um bar para o seu colega na altura do pagamento de um Licor Beirão, uma imperial e um Famous Grouse).
- "É o menino..." (A mãe para uma bebé que para mim olhava... mania essa que as mães têm de explicar aos filhos o que estão eles a ver)
- "E para este menino?" (Uma padeira à espera do meu pedido)
...

E por aí fora. Mas isto de ter barba até tem graça. Por isso deixa andar.

sábado, 1 de setembro de 2007

Your halo has slipped down

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How you're plannin' to go about makin' your amends?

Já voltamos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

"Big E"

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E depois há aquele rapaz calmeirão. O chamado "negão" que vai ao ginásio e apresenta-se com bom estilo no bar. Como se fosse de Harlem: camisola de alças, carapinha despenteada, óculos escuros à Top Gun espelhados. Não é daqueles tipos que se acham os melhores do mundo e estão sempre dispostos a arranjar bulha. Não. Este usava All Star. Boa onda. A curtir o som dele, do alto do metro e noventa e dos 120 quilos que possuia. Esteve sempre sentado a curtir o reggae que vinha do palco. O pedal "wah wah" estava a fazê-lo vibrar, mas sempre de forma muito cool. Como se fosse Barry White: "Yeah! Uhhhhhh! Huuum". Era assim que ele estava, enquanto fumava mais um cigarro.

Mas do alto do palco, fizeram-lhe uma maldade que o irritou. Soaram os primeiros famosos acordes e arranjos que que Bob Marley fez para a sua guitarra. O dedilhado. "Teu néu néu néu néu... I remember...". É aí que este mano, que se morasse no Harlem chamar-se-ia "Big E", levanta-se com o copo de cerveja na mão e vai até à beira do palco, onde só está um rapaz da linha que, por acaso, apareceu hoje naquele bar. E que gosta muito de reggae, porque é boa onda e dá uma boa vibe e transmite um alto feeling. Ficam os dois frente à banda. O "Big E", sem se mexer, baixa a cabeça. O rapazola da linha dança proficuamente. Dança mais que toda a gente. Dança por toda a gente. O matulão, do alto do seu metro e noventa mete a mão na cabeça e cambaleia. Juro que o vi meter a mão por baixo das lentes dos óculos espelhados. A cerveja era bebida com dor, mas a ser mais precisa que nunca. Aquele calmeirão, do alto do seu metro e noventa, estava a cantar "No Woman No Cry", com o coração despedaçado, com a vida feita numa miséria. Com saudades de muitas coisas, de bons momentos, de muitos risos, de abraços. Foi por isso que ele chorava. "I miss the cuddles man!", justificar-se-ia "Big E", lá no Harlem. Os outros amigos iriam rir-se e gozar com ele: "Shiiiiiiiiiiiiiiiit, nigga! Aahaha! Are you a fuckin' faggot?" E continuava tudo a beber cerveja e a rir.

E eu que nem gosto dessa música...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Em tempos diferentes

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"Rusty Cage", dos Soundgarden


Johnny Cash, a fazer uma versão da cantiga dos Soundgarden

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Para quem diz que o Herman já está acabado...

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... revejam os vossos parâmetros.

Enxoval - II

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- Duas caixas, cada uma delas com quatro garfos, quatro facas, quatro colheres de sopa, quatro de sobremesa. A mãe diz que têm imenso prestígio e parece que está a querer partir de propósito os que tem cá em casa para adquirir uns idênticos. Passo pela cozinha e vejo-a a atirar garfos ao chão com violência e a pisá-los com os chinelos.

- Um cinzeiro tunisino

- Um fondue de chocolate

- Um kit de pequeno almoço composto por tijela e caneca

- Seis cheques de valor considerável que faz com que a habitação seja minha provisoriamente durante um período de seis meses. Mais sessenta dias (no máximo) e já ninguém ma tira. Pelo menos enquanto for pagando a mensalidade ao banco. Está tudo a andar, sobretudo o dinheiro para fora da minha conta...

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Coisas que nos fazem arrepiar

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Há coisas que nos fazem alterar um dia. Hoje acordei e foi isto. Tão simples: duas vozes e uma melodia. E passei o meu dia todo a assobiar isto. A lembrar-me de nada. Acho impressionante a forma como esta acústica desperta em mim memórias. É uma música em câmara lenta que provoca muitas sensações, todas elas inexplicáveis, todas elas deliciosas: arrepios, tristeza, poder, força, garra, lágrimas, saudade, amor. Paixão não, mas não percebo o motivo.

Gosto de quando isso acontece. Quando algo em nós é despertado e ficamos sem saber os motivos. Chama-se a isso viver. Apenas viver. É o verdadeiro sentimento, o estado mais puro da sensação.

Na altura eram miúdos. Mas esta música é das coisas mais belas que já ouvi. Das canções mais perfeitas já compostas, que mais reacções químicas provocaram em mim. Hoje não a conseguiriam compor. Já estavam muito "twisted" para escrever e trabalhar o tema "Echoes". Nesta altura é que há a preocupação de tomar atenção e analisar todo e qualquer detalhe. É o lapidar da personagem que todos os dias vestimos.

Acho que vou dormir.